sábado, 20 de agosto de 2011

Ex-namorados quase famosos

Tentando escrever o artigo final de uma disciplina ainda do semestre passado, apressando a resolução das questões pendentes pra conseguir viajar num estado de espírito semelhante ao que chamam de "paz", escutando Deerhoof a todo o volume que o prenúncio de madrugada morando em edifício me permite, chega o cidadão implicante que divide a cama e a vida comigo e pergunta: "Conhece essa banda aqui?", e antes que eu me vire para ler o nome da tal banda ele ataca no midiaplayer com uma musiqueta do Aeroplano.
E eu "sim, eu conheço, por quê?". E ele vai me puxando memórias e historietas como só um historiador consegue fazer bem, até chegar no ponto que o interessava: "e qual deles era teu namorado?", mostrando uma foto no google. 
Eu aponto, e ele "mas o careca, como assim?", e eu começo a rir, pensando em como todo namorado atual gosta de apontar defeitos nos passados pra se afirmar como o melhor, como se o passado fosse algo a ser sempre superado e o presente fosse um mero outdoor que anuncia o futuro perfeito.
Agradava-me a fase inicial, quando a máxima "meu passado não te pertence" reinava, mas eu parecia uma inquisidora psicótica perguntando quem era tal pessoa e encaixando as peças do quebra-cabeça sozinha, buscando paradigmas indiciários de Ginzburg em todo suposto acaso ou coincidência, esquecendo o tanto de pecinhas mal encaixadas e quantas páginas borradas e arrancadas tinha eu em minha própria história...
O exercício de rememorar é mesmo duvidoso: uma palavra, um gesto característico, um objeto segurado de uma certa maneira e um carretel de lembrancinhas desvela-se, carregado de sentimentos ambíguos. Tem sido assim quando me fazem lembrar de antigos namorados ou afins: a sensação de amargor que ficava na boca dá lugar à sensação de alívio no corpo inteiro. Mas não um alívio de ter me livrado desse ou aquele calhorda, ou de ter superado possíveis sofrimentos. É um alívio de não sentir nada de mau, de não desejar nada de mau e de, depois do remédio tão eficaz que o tempo sabe ser, poder até cantarolar as musiquetas, descompromissadamente, dos e com os antigos namorados, que hoje parecem bem felizes e saudáveis, apesar de gordos e carecas u.u (Claro, porque por maior amizade que se consiga ter com um ex, impossível não tripudiar um pouquinho, né?)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Naquele tempo...

Naquele tempo, eu não era eu.

Porque olho para trás e não sou eu quem vejo, algo meio parecido, talvez, mas que só de muito muito longe pode ser um arremedo de mim.
E, mesmo assim, continuo devendo àquele tempo o que acho que sou...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O engodo da poesia

Quando não tenho muito o que fazer, ou até tenho, mas tô cansada demais, me pego lendo textos desconhecidos de pessoas mais desconhecidas ainda. Vez ou outra, até me surpreendo com algum trecho que me atinja, ou alguma boa construção, uma bela sacada que quase salva um texto medíocre...
Mas há uma coisa da qual é impossível fugir: os pretensos poetas.
Por que há uma mania (talvez um consenso, até) de achar que recortar frases em quatro partes é fazer poesia. Todo mundo quer brincar de ser poeta, mesmo que não faça a mínima idéia do que está escrevendo. Deve massagear o ego desses alguéns por aí se sentir mais culto ou inteligente por se autodenominar "poeta". Mas, falando sério agora, será que esses versinhos simulados realmente podem ser chamados de poesia? Tenho cá mil dúvidas... Não, tenho uma certeza: poesia é muito mais que isso!
Tem aquele poeta que acha muito bonitinho fazer tudo rimadinho e arrumadinho, e chega a construir "belas" composições como rimar "amor" e "dor", "paixão" e "coração", "tristeza" e "beleza" e por aí vai. Ah, importante ressaltar: esse tipo de "poeta" impreterivelmente escreve sobre "amor", seja lá o que ele entende por isso. Normalmente é uma dor de cotovelo, daquelas de breganejo ou pagode de quinta, e se estiver feliz vai falar das qualidades que só ele vê em sua adorável piriguete ou ela em seu querido cafajeste.
O segundo tipo é o que se julga o maldito, aquele que enxerga coisas na sociedade que mais ninguém enxerga (ele pensa). Então ele vai "mostrar ao mundo suas próprias mazelas", ou "a verdade nua e crua". Esse é o tipo que se julga o portador da verdade absoluta, normalmente ateu de boteco, pretenso socialista ou algo do tipo, ou então ele paira acima de toda a humanidade. Tipinho desprezível, é o típico pseudocult.
Existem vários outros tipos, mas a maioria é apenas vertente dos dois tipos clássicos: os apaixonados (sofredores ou felizes) e os "heróis da resistência" (malditos ou inteligentes demais para a sociedade). E é uma pena que sejam essas enfadonhas e nauseantes mostras de poesias que circulem e cresçam aos montes pelas livrarias e redes virtuais. Porque eu sei sim que há uma boa poesia pedindo pra ser vista... 
Mas enquanto ela não consegue se mostrar aos meus olhos, sigo detestando os falsos poetas que recortam frases de cartões de dia dos namorados e colam em pequenas estrofes bobas e acham que poesia não é nada mais que escrever em versos.
Prefiro bem mais a prosa despretensiosa, que não se julga superior a nada nem a ninguém e, nela mesmo, acaba contendo a poesia que esses ridículos poetas de mesa de bar não encontram em seu pseudointelectualismo de merda.
E esse é um post de saco cheio mesmo de tanta baboseira que leio por aqui. E se acha o que escrevo uma porcaria também, tenha toda a razão, porque eu só tenho uma coisa um pouquinho melhor que esses que estou aqui criticando: eu não me rotulo como "escritora" nem nada parecido ;)

sábado, 6 de novembro de 2010

Pensamentos solitários num fim de tarde, numa mesa de bar*

"De repente, era só uma vontade louca de escrever. Eu avançava no livro, mas não processava a informação. Tudo dançava à minha frente, e eu sei que só pararia de dançar quando libertasse os passos e escrevesse.
Pausa para um gole.
Abri a bolsa e escolhi minha caneta nova, que lembrava as canetas importadas que minha tia-madrinha me dava, com uma ponta 0,4. Essa aqui custou R$ 1,90 em uma lojinha a meia quadra daqui.
Não me imaginaria escrevendo aqui há algumas horas - não sei que horas são, deixei o tempo ir sem mim. Escrevi muito e minha mão doía, como de praxe.
Outro gole.
O gole foi generoso e o garçom me assustou arrancando o cardápio da mesa. Não faz mal, não preciso dele. Continuemos. Marco a data na página: 03.11.10.
Fiz minha terceira prova de mestrado. Fui sem nenhuma esperança. Escrevi firme, mas sem pretensão. Não morro se não passar. Mas passar resolveria meus problemas de grana por 2 anos...
Mas não tenho segurança nenhuma dessa vez, como já tive antes. Na verdade, penso até que não passar será outra libertação. Continuo isso em outro momento.
Entrego a prova e saio da sala. Não procuro ninguém, já que pouco conheço. Mas os conhecidos me cumprimentam, desejam sorte e se oferecem para ajudar "no que for preciso". Sorrio, agradeço e entro no elevador com receio de ser agredida pela porta de novo. Ela fechou no meu braço na entrada para a prova. Olho agora e o lugar ainda está levemente vermelho, mas não dói.
Um gole e pausa para encher o copo.
Saí da prova e rumei para o bar em frente, toda decidida. Escolhi uma mesa e ocupei. Pedi uma cerveja e abri meu livro. Ainda não terminei 'Os Vagabundos Iluminados', do Kerouac. Até li umas 4 ou 5 páginas antes da prova começar. Mas agora, aqui, é diferente.
Sentei, só, eu e meu livro, e uma garrafa de cerveja, absurdamente gelada. Notei o olhar do garçom. Depois, das 2 mesas ao redor e de quem passava. Maldita capital do interior.
O garoto em frente sorria maliciosamente. Ergui o livro de forma a tirar o 'sorriso' de meu campo de visão. O rapaz com ele fumava sem parar e falou algo sobre o título do livro, que não ouvi e ignorei.
Duas mulheres ocuparam uma mesa à esquerda. Falavam sobre homens e, volta e meia, sobre solidão. Achei que se referiam a mim às vezes, mas não quis apurar a audição.
Gole.
Os vagabundo do Darma, a escalada à montanha e tudo o mais foram me absorvendo. O redor já não me incomodava (nem mesmo o barulho infernal dos ônibus) e passei a ignorar os olhares.
Pés na cadeira da frente, outra cerveja e senti-me estudante de novo. Parei o livro, cheia de planos e sensações de otimismo. Quase plenitude.
Pensei em ligar pro namorado e contar o que estava acontecendo. Mas ele podia estar na prova ainda... Pensei em ligar pra minha irmã vir me fazer companhia. Foi quando percebi que, aquela companhia, o livro, a cerveja, o caderno, a caneta e o vento bastavam.
Comecei então a escrever e, agora que já o fiz, hora de voltar ao livro."

* Entre um gole e outro de cerveja, aparentemente solitária numa mesa de boteco na beira da pista, me vieram essas páginas. Talvez seja o começo de algo. Talvez seja só a falta de alguém pra conversar. Talvez não seja absolutamente nada e eu fiquei feliz à toa. Aí me lembro que sempre gostei disso: escrever sem razão, por pura e simples vontade de escrever. Melhor aproveitar o momento então antes que fuja de novo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Se perguntarem, digam que sumi...

Desapareci. Sumi mesmo. Vez ou outra voltava aqui pra dar uma olhada, ver em que ponto minha vida "blogueira" havia parado e pronto, zarpava para um novo sumiço.
Posso justificar dizendo que não queria sair da casa dos "69 posts" (ui, sugestivo, não?), mas seria procurar motivos onde não há razão.
E também, pra que diabos haveria eu de me justificar? E para quem?

O que acontece é que a vida não parou. Onde parecia haver retrocesso, ela seguia. Onde parecia haver avanço, estagnava. E quando parecia marasmo, era revolução silenciosa. Sim, nada parou, nem que eu quisesse, nem que eu pudesse, nem que a roda da história fosse atravancada, ainda assim, haveria movimento. Nem que fosse pela pura inércia, mas haveria de continuar.

E por que diabos nada pode parar? Por que esse senhor faroleiro (esse tal de "Tempo") continua a se impor sobre tudo que vive? Por que os deuses não assumem as rédeas de uma vez?  Por que, por que, por que tanta impotência diante do passar dos dias, por que tanta resignação ante a força linear e inexorável das areias que caem pela ampulheta?

Acredito que quando não se quantificava o tempo, sua ditadura não se fazia sentir, ou tinha menor alcance. Quando o presente era o único tempo existente, quando não se havia noção do que viria, quando a memória tinha o caráter puramente pedagógico de não repetir os mesmos erros, quando não se planejava, não se havia contas a pagar no mês que vem, provas, bens e obrigações, o tempo era mais camarada. Mas esse tempo existiu mesmo??

No fim, o ato de desaparecer pode ser uma fuga do tempo. E fugir do tempo, nada mais é que fugir de nós mesmos, já que o tempo é apenas uma abstração a qual nos obrigamos para com o redor e para conosco. Fugir racionalmente (e planejadamente, até) do tempo não é ser irresponsável, nem adolescente reclamão: é evasão do espaço, dos outros, de si em si mesmo.

Não fazer questão de ser encontrado ou de contar o que lhe acontece aos outros é sumir de caprichos e vaidades, seja para aprimoramento, seja para instrospecção, seja para apenas adormecer. Desaparecer, aqui e daqui, acaba sendo o fim também deste (não)lugar que aqui criei: catarse necessária da alma de sua eterna necessidade de provar que existe.

Liberto-me do tempo, das provações, das necessidades vãs, da democracia dos sentimentos e do espelho arrogante e tentador. Recrio minha ilusão de liberdade e sigo, sumindo, desaparecendo, para vez ou outra, reassumir todos os compromissos e obrigações e ser mais uma no turbilhão de escravos do tempo.

sábado, 29 de maio de 2010

Sinal de vida

Há quem diga a velha máxima de que "depois da tempestade há de vir a calmaria".
Deveria ser verdade. Mas às vezes penso que, em meio a minha tempestade constante, talvez eu não saiba o que fazer quando a tal calmaria vier. Bonanças sempre vêm, bem como os bons ventos e energias dos mares, mas sempre em forma de furacão, belo, forte e devastador.
E quando não estou em meio a essa caos produtivo, me sinto tão morta que desejo tudo de novo: a falta de tempo, as noites mal-dormidas, o mau humor cotidiano, os conflitos e briguinhas desnecessárias e até os contratempos.
Tudo (inclusive o assalto que sofri há dois dias e do qual estou tentando me recuperar) só me dizem uma coisa: estou viva. Mas dizem também que os deuses têm um mega senso de humor quando pensam de mim, mas um super cuidado quando me põem um rapaz desajeitado, estabanado e tão estressado ao lado.
É, estou viva.

E esse post ordinário, como facilmente se percebe, só existe pra dizer isso mesmo ;)

terça-feira, 30 de março de 2010

Pesquisas e mais pesquisas

Não se pode escrever algo surgido da simples vontade de escrever. Dados são necessários. E dados são obtidos por meio de pesquisa, seleção e análise. E pesquisa demora a ser feita, principalmente quando o resultado que se busca precisa ter o rigor de uma produção virginiana e perfeccionista.
Ando pesquisando, como pesquisava há 7 anos. Com afinco, mau humor e felicidade, paradoxalmente.
Mas não quero apenas pesquisas pretensamente científicas. Não quero a perpetuação do academicismo vazio e sem propósito. Não à pesquisa pelo simples prazer que se encerra nela mesma.
Ando pesquisando sobre mim, sobre o que eu era, o que eu acho que eu era e o que achavam que eu era. Sobre ainda o que sei que não sou e sobre o que até poderia ser. E quem sabe, depois de mais uns 7 anos, serei a única internauta capaz de responder com exatidão a célebre frase de orkut "quem sou eu". Ou não precisarei, quando atingir a meia idade, gastar dinheiro com analistas que, certamente, não me dirão quem sou melhor que eu mesma.
De qualquer forma, até lá, pesquisas e mais pesquisas...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que fazer quando as luzes se apagam?

Certo, andei sumida. Não há o que dizer nem o que justificar. O mundo real andou me ocupando e pequenas confusões do dia-a-dia acabaram por deixar todas as idéias para textos (boas ou não) dentro da cabeça mesmo. Só de pensar em passá-las para cá já batia a preguiça ou a sensação de que havia algo mais importante a se fazer.
Mas cá estou. Quando a necessidade de escrever se reafirmou, precisei voltar e, por isso, redigo, cá estou. E, obviamente não por coincidência, isso se fez latente justo após a visita de namorido. Foram 15 dias de convivência ininterrupta após 6 meses de ausência e distância física. E, destes 15, por 5 ficamos sem energia elétrica em casa (por incompetência da maldita companhia de luz que se atrapalhou e atrapalhou minha vida também).
Daí se explica o título de hoje. Porque não é nada fácil nas atuais circunstâncias passar sequer um dia sem luz, imaginem 5! Se fosse na praia, num acampamento, sei lá, algo fora do cotidiano, poderia até fazer sentido... Mas em plena cidade e sob um calor de 44 graus, é uma tortura!!! 
Sendo assim, nossa rotina era acordar, arrumar um pouco a casa, tomar café e ligar pra companhia de luz. Depois brigar um monte porque eu surtei com a situação toda e descontei tudo no tadinho do namorido, depois namorar um pouco e preparar o almoço juntos, lavar a louça e ligar de novo pra companhia de luz e esperar que alguém viesse resolver o problema até às 17h30. Depois disso, sair pra comprar gelo e tentar não deixar a comida estragar. Findando a saga de ir ao supermercado/voltar o mais rápido possível pra casa pra não derreter demais o gelo/abastecer os isopores/limpar toda a cozinha e enxugar a água que escorria do gelo derretido, tomávamos banho e pensávamos no que fazer.
Nessa parte que sempre vinha a questão-título. Como era fim de tarde e anda anoitecendo por voltas das 20h por aqui, aproveitávamos o fim do dia para fazermos palavras cruzadas na beira do rio. Passeios exaustivos e felizes pelo centro histórico eram a pedida dos fins de tarde. Depois voltar à noite pra casa, acender as velas e beber umas cervejas enquanto preparávamos algum lanche pro jantar.
Descobrimos a afinidade para palavras cruzadas e quebra cabeças nesses dias sem luz. Descobrimos o mesmo gosto para cervejas, músicas e filmes (mesmo que não pudéssemos assistir/ouvir nada, exceto num dia em que conseguimos carregar os celulares e fazer as baterias durarem até de manhã). Descobrimos que o assunto entre nós não se esgota e, quando cansamos de falar, que o silêncio também não nos incomoda. E descobri que tudo que nos unia continuava da mesma forma que havíamos deixado lá em agosto, quando nos despedimos. Os sentimentos, os intentos, os planos, todos mais sólidos e mais fortes, como se houvesse um halo iluminado que não permitisse nunca que a luz se esvaisse.
Quando as luzes se apagam, a solução é deixar que as luzes psicodélicas de nossa eterna liga do amor reine, absoluta, acima de todas as invejosas luzinhas bobas do resto da cidade *-*

*Esse é um post apaixonado mesmo, e daí? =P

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Abaixo o otimismo, viva a queixa!"

Dias atrás eu escrevi sobre minha irritação sobre tudo e todos (ou quase isso) que me rodeiam e teimam em se adequar a regrinhas e padrões inúteis, apenas para manterem-se dentro do que chamam de "normalidade". Até porque, ser "normal" é mesmo isso, estar conforme os padrões previamente estabelecidos, fazer parte da grande corrente inerte e depois tentar se convencer de que todos temos algo de especial (mesmo que isso seja apenas uma forma de dizer que ninguém mais é especial, segundo um desenho incrível aí que vi). Mas eu não fui sempre assim.
O tal mito da normalidade chegou a me atrair, certa vez. Há muitos anos eu achava que destoava demais no meio dos ditos "normais" e sentia vergonha disso. Quer dizer, primeiro eu sentia orgulho, mas depois de alguns acontecimentos, de rejeição e incompreensão, também desejei "ser normal" simplesmente para passar despercebida e não ser alvo de ofensas ou ridicularização por não ser tão "normal" quanto os outros. Passei a esconder-me dentro de mim, com máscaras e outros truques da arte do fingir, de modo a quase, QUASE ser como os outros.
Eu precisei de mais alguns anos pra entender que eu nunca poderia ser como os outros, mesmo que fingisse muito bem para a maioria. Eu não fui capaz de fingir pra mim e, com o tempo, fui me despindo dos truques, voltando ao meu próprio "eu" e me libertando do mundo dos "normais". E quando "voltei", a hipocrisia reinante e a ditadura dos malditos "normais" passou a me irritar de tal forma que eu não consigo, por mais que tente, tolerar muitas coisas. Por isso me enervo com facilidade, me estresso"all the time" e xingo horrores aquilo que não me agrada, com argumentos para fazê-lo.
Ouvi essa semana, porém, que reclamar o tempo todo não agrada os outros. Como se eu não soubesse... Também não gosto de quem vive reclamando, também não suporto conviver com meu mau humor e meu gênio teimoso e arrogante, mas, repito, sou crítica por natureza e acima de tudo. Não me calo pra agradar outrem, não fujo de discussões se elas me parecem interessantes e não sou otimista daquele tipo bobo, que prefere acreditar que dias melhores sempre virão e sentam no sofá esperando a vinda. Sim, eu sei muito bem rir da minha própria desgraça, mas não desprezo nunca o valor de uma boa queixa. ;)
E aos incomodados... Vocês também me aborrecem!!! =D

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Normal people bore me

Domingo à tarde. Calor infernal. Dois ventiladores ligados, tv também ligada, mais para que o quarto tivesse algum sinal de vida que para ser realmente assistida. Foi com a tv ligada num canal aleatório, num programa local antigo (era reprise mesmo) que vi uma frase finalmente agradável. A camisa do carinha do programa dizia "normal people bore me". Não sei se era alguma campanha, se é slogan de algo, nem prestei atenção e mal tava ouvindo mesmo o que ele dizia, mas a frase realmente me chamou atenção. Isso foi ontem.
Hoje eu acordei muito, mas muito, incrivelmente mal humorada. Não, não era culpa de ninguém (quer dizer, até era um pouco), nem havia pessoas à minha volta, ou ao menos imediatamente perto. Mas a sensação de prisão, de calor sufocante, do grito prestes a escapar, a certeza de que, não importa o quanto se fuja, os verdadeiros problemas continuam atrás de nós, como encostos, tudo permanecia em mim como há alguns meses, quando a única vontade que eu tinha era a de sair correndo de onde estava sem olhar pra trás.
Li um blog recém-inaugurado (a quem interessar possa, http://diariosdamaquinadomal.blogspot.com/) no qual, se não entendi mal, pretende-se mostrar aventuras de uma bicicleta na cidade de Niterói. Pensei em como eu seria mais "feliz" se soubesse andar de bicicleta, em como poderia sentir por um momentinho apenas que não sou constantemente mal humorada e reclamona, porque por esse instante único o vento no rosto e a sensação de plenitude seriam suficientes para que os problemas se fossem. Mas eu não sei andar de bicicleta nem gosto de fugir dos problemas.
Por isso volto ao assunto inicial e ao título deste post. Percebo-me cada vez mais intolerante às pessoas ao meu redor, como se todos fossem medíocres, como se ninguém fosse capaz de falar algo interessante ou minimamente aproveitável, como se todos os discursos fossem reproduções acríticas, como se eu não me encaixasse mesmo em lugar nenhum. E embora pareça bobagem de uma eterna adolescente, a verdade é que eu nunca estarei satisfeita, não sou capaz de me conformar com frases prontas e clichês, com comportamentos "socialmente aceitáveis" que, no fundo, apenas tornam todos ao meu redor apáticos e profundamente desinteressantes.
Isso quer dizer: voltei ao meu estado natural de stress superior. Ao ápice do sarcasmo, da acidez e da insatisfação. Ao início da questão que me trouxe até outra cidade, outros ares, outros planos. Não, não é falta de amor, não é "síndrome de malcom", não são problemas de convivência familiar, falta de grana, falta do que fazer. Não é nada de trivial e corriqueiro. Sou eu, apenas eu, voltando ao que sempre fui, em essência: crítica e questionadora. Uma chata para a maioria, mas um quase modelo de racionalidade e persistência para alguns. E como detesto as multidões, são esses alguns que reconhecem o valor prático e mesmo sentido utópico do meu eterno senso de contra-argumentação as pessoas que realmente me importam. O resto apenas me aborrece.


E agora eu preciso ir que, obviamente, com esse mau humor todo, não fui capaz de terminar o bendito ensaio de trabalho final do semestre que já terminou. Mas com ânimo renovado (já que escrever é restaurador para mim), sigo madrugada adentro para parir adoráveis laudas de senso crítico e teor acadêmico suficientes para encerrar de uma vez por todas 2009. ;)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Que natal que nada, viva os 6 meses! =P

Quem me conhece ao menos um pouquinho sabe: eu não sou cristã, não acredito num deus único e não me envergonho disso, muito menos me vanglorio. Em contrapartida, também rezo (do meu jeito e sem textos prontos e decorados), vou à Igreja se a intenção for válida e sincera, respeito os credos alheios e sim, comemoro o natal, mas de um jeito mais peculiar.
De qualquer modo, isso não é um post sobre religião. É mais sobre como, ao nos condicionarmos, conseguimos mesmo mudar coisas ao nosso redor que precisam ser mudadas. É como dizem, quando queremos algo com fervor e mentalizamos positivamente, o universo conspira a favor. Por isso, não acredito em "milagres de natal", mudanças repentinas graças ao "espírito natalino" ou outras manifestações do tipo. Não, uma data em si não é capaz de mudar nada nem ninguém (mesmo os que fingem mudar só porque "é natal").


Então, agora que o tal natal passou e todos podem parar de fingir e voltar a ser o que foram o ano todo, digo que uma mudança ocorreu em mim. Hoje é meu aniversário de namoro, 6 meses (dos quais quase 5 se passam à distância física do ente amado). Vou explicar a relação. Todos sabem da dificuldade que é, além de levar um relacionamento a sério, fazê-lo a milhares de quilômetros de distância, com a esperança de um futuro (já mais próximo) de união espacial novamente. Vem sendo bem difícil, para ambos os lados, adaptar formas de demonstrar amor, conciliar horários, depender da boa vontade da conexão da internet, economizar pra comprar cartões telefônicos que não duram 10 minutos... A dificuldade parece não ter fim e piorar cada vez mais. Mas é justo o contrário, agora.
Acordei com a sensação de que nunca pude ser tão livre numa relação quanto agora. Se, por um lado, a distância física parece minar possibilidades de realizações, por outro, exige de nós tantas novas estratégias, habilidades de driblar o desconhecimento do cotidiano em prol de um sentimento muito maior, que me sinto tão à vontade para ser eu! Hoje, quando comemoramos 6 meses de um relacionamento maduro e prazeroso, percebo o quanto somos felizes em termos um ao outro, do jeito que podemos, e o quão menos desesperadora a espera se torna.
Óbvio que discussões, mal-entendidos, conflitos mal-resolvidos, atropelos acontecem todos os dias. Não somos ingênuos a ponto de culpar a distância por isso. O bem querer tem disso, e sem debates não se cresce, já me convenci disso. O cerne de tudo isso é que, em meio a confusões e carinhos desmedidos, redescobri quem era e me despi das máscaras que ainda guardava. Hoje, terminando a celebração do solstício de verão, percebo o quão iluminada se tornou novamente minha vida, e o quanto isso é devido ao meu "demônio amado".


Meu candeeiro encantado, companheiro de luz eterna, incessante, abrasadora, amigo de explosões de risadas e silêncios, fonte mútua e recíproca de força, eu precisava dizer: foda-se o natal e as tradições inventadas! O melhor desse ano foi te receber na minha vida! *_*


E por estar feliz (mesmo que não pareça tanto, mas deve ser o maldito sono/ressaca de natal =P), posto uma música do tempo em que eu dançava no escuro, ao redor da fogueira, despreocupada com o inferno ao meu redor. Já posso dançar de novo! :D

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Do cineminha à tarde...

Ando me interessando mais que meu normal por cinema. Não que eu não gostasse antes, mas descobri que cinema é uma opção barata em Porto Alegre. Tenho salas de exibição próximas a onde moro e com produções que realmente me interessam. Salvo os pseudo intelectuais de sempre, são circuitos bem frequentados ou quase vazios, o que não deixa de me agradar, e às vezes me entristecer: salas confortáveis, ótimas películas e pouquíssimo público.
Há momentos em que meus livros não são mais suficientes e acaba o dinheiro para comprar novos. Não há muito o que se estudar se o resultado para o mestrado ainda não saiu. Não há muito o que ver na internet se o computador não ajuda (nem a vista cansada). Enjoei de minhas músicas, das pessoas, das conversas...
Então o melhor é rumar para o cinema, sozinha mesmo, ou em companhia extremamente seleta. Depois um chopp ou um sorvete. Programa bobo mas tão agradável que quase esqueço da irritação que me espera quando voltar ao mundo real.
Sorte que na outra semana tem sempre um filme novo me aguardando. :)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Agora são quatro meses... Alguém aí sabe de que?

Acordei numa casa que não era minha. E eu lembro de tudo e, melhor, não me arrependo de nada.


Passei a comemoração de meus 4 meses em nova cidade rodeada de cachorros, comendo pizza, deitada no chão, vendo filmes madrugada adentro, na casa de uma amigA. Sim, eu fiz uma amiga em Porto Alegre e aproveitei que ninguém se lembra dessas datas que me são tão importantes para fazer programinha caseiro que há muito não fazia. Conheci a família, fui bem tratada (e sem falsidades), almocei junto no outro dia e me deixaram de carro em casa. Tipicamente, um programa de amigas.


Eu gostei. Muito, até, pra uma pessoa que torce o nariz pra tudo, como eu. :D


A parte ruim de tudo isso é chegar em casa e perceber que ninguém mesmo se lembra da data de hoje, e que as pessoas de quem se sente falta sequer notam que eu não estou mais lá. Demonstrações de afeto, é disso que ando sentindo falta. E antes que alguém diga que estou virando emo, proponho que se isole do convívio dos seus e teste por quanto tempo suporta a solidão sem se queixar.


Mas não estou aqui a escrever pela queixa. É mesmo pelo agradecimento. Quando eu já pensava que seria mais um mês esquecida, deprimida em frente ao monitor do PC, remoendo as discussões todas da semana (e que não se resolvem), alguém vem e me tira de casa, me faz assistir History Chanel com cachorrinhos no colo, me presenteia com conversas agradavelmente intermináveis e me faz até acordar sem mau humor. É, Carol, o post dos 4 meses em PoA é pra ti. :)


(Agradecimentos finais: Carol, mnha vida tem se tornado muito mais fácil aqui desde que nos encontramos, sabia? Ainda mais com nossas "coincidências incríveis" =P Obrigada, mesmo mesmo! ^^)

sábado, 28 de novembro de 2009

Bobagens Blogueiras ? Não, troca pra "Sábado de Sol"! =P

Acordei com vontade de escrever, como há muito não sentia. Semana cheia, sentimentos aflorados, os melhores e os piores. Mal consegui me suportar e sei que também foi difícil para os pobres mortais que insistem em me acompanhar. Inclusive, devo um agradecimento sincero a vocês, vocês mesmos que sabem muito bem quem são, por isso não preciso nomear. Sintam-se abraçados (mas sem suores pegajosos, por favor).
Voltado à vontade de escrever. Acordei com vontade de escrever, como há muito não sentia, foi o que eu disse. Ontem à noite, no entanto vi umas besteiras tão absurdas que hoje, ao lembrar delas, a vontade de escrever transformou-se em receio. Por isso, esse poste é em homenagem às bobagens blogueiras.
Eu pretendia agora discorrer sobre pelo menos cinco tipos de blogs e seus posts inaceitáveis, mas... perdi a vontade. Pensei que teria mais graça quando eu estivesse de mau humor de novo, e essa manhã estou incrivelmente feliz. Não que eu perca o senso crítico quando me alegro, longe disso! Apenas quero curtir um pouco mais os minutos contentes, afinal, acordar sem mau humor é tão raro quanto borboletas pousando em minha janela!
Sendo assim, as bobagens blogueiras ficam pra depois. Momentinho piegas da liga psicodélica do amor agora. Se não gostou, não leia, simples assim. :) 



Musiqueta feliz para momentos felizes, principalmente fins de semana. :)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

(Não)Querência

Não, eu não me importo com minha "produção literária". Não quero escrever sem parar só para me sentir meramente produtiva. Para satisfazer meu ego. Ou para satisfazer quem acha que escrever todo dia aqui significa "duelo de blogs e competências intelectuais".
Não, eu não me importo. Não enquanto a chuva cai abundantemente lá fora e eu estou protegida, seca e intacta aqui dentro. Não enquanto o Sol é escaldante ao meio-dia e estou confortavelmente sob a sombra do meu teto de temperatura amena. Não enquanto minha vida corre nas ruas lá embaixo e eu continuo aqui, vendo-a correr sentada no parapeito da janela do sétimo andar.
Os dias passam, meses até. Planos, projetos, conflitos, questionamentos, vicissitudes da vida "pós-contemporânea" e abusos da inércia de uma vidinha tipicamente classe média. Copos de coca alternam-se com batatas fritas. Em meio a isso, ilhas de livros. Conversas intermináveis. Amores. Eternos. Discussões desmedidas. Humores descontrolados. Reflexões antes de dormir. Abraços e cheiros no cachecol de Jah. Tristeza, alguns poderiam dizer. Saudade, talvez. Mas eu diria apenas que deixar-se sentir na medida certa é o melhor aprendizado possível, e um dos únicos para o qual nunca se chega ao final do curso.





O que mantém esse blog vivo? Quem o lê ou quem o escreve?
Nada disso mesmo importa. Não enquanto não termina o momento de contemplação.
E a vida segue seu curso para que eu a contemple. Antes a minha que a dos outros. ;)

domingo, 1 de novembro de 2009

Bobagens cinéfilas

Tá, é início de novembro, penúltimo mês do ano, que está chegando ao final, eu deveria seguir meu costume de falar minhas impressões para o mês, ou fazer o balanço de outubro, ou até contar algum fato corriqueiro dos últimos dias.
Ontem, no entanto, um pensamento que há anos não me passava pela cabeça voltou, com uma ajuda da minha irmã caçula que (eu nem sabia) tinha o mesmo pensamento que eu: "por que aquela gorda espaçosa não cedeu lugar na porta pro Jack?". Esse é o pensamento tema da nossa noite de Halloween.
A "gorda espaçosa" era a Rose (interpretada pela Kate Winslet) de Titanic. Impressões gerais sobre o filme (que, na época, tive de ver no cinema pra levar a irmã do meio e, mesmo não sendo o supra-sumo do senso crítico, achei uma choradeira só, valia só pelos efeitos, à primeira vista): Rose era uma ruiva farta de carnes, como era ainda padrão na época, mas do tipo "gostosa", não "gorda". Jack (encarnado no Di Caprio), o namoradinho pobre, era um garoto novo, do tipo normal, magro mas "com tudo no lugar". Eles juntos: Rose parecia muito mais forte que ele e Jack começava a parecer bem magrelo e frágil nas cenas a dois.
Parágrafo especial para a cena especial: todo mundo já viu pelo menos a cena do carro. Eles estão no "almoxarifado" do Titanic e entram num carro qualquer pra transar.Tá, e daí, eles estão com frio e querem se esquentar, nada mais apropriado que um carro antigo "chiquerésimo" num navio no meio do oceano. Amei a idéia. Mas eles encontram o carro, entram no carro e a próxima cena é uma mão escorrendo pelo vidro da janela do carro que, por sinal, está toda embaçada (que nem espelho do banheiro quando se toma banho quente). Se era pra aquilo parecer sensual e mostrar que a volúpia do casal aquecia a tal ponto o carro que as janelas embaçavam, tudo que eu conseguia pensar era numa cena bem horripilante de assassinato com aquela mão escorrendo desesperada pelo vidro. Pensei, mesmo sabendo que não poderia ser: "um matou o outro!". O detalhe é que não sabia quem tinha matado quem, mas quando o take mostra os dois no interior do carro penso, com certeza (mesmo sabendo que aquela mão no vidro era dela): "se a Rose tava por cima, entendo o desespero dele tentando sair pela janela".
Claro que a idéia vai se aprimorando ao longo daquelas horas intermináveis do filme interminável, mas, já depois do naufrágio, quando eles procuram onde se refugiar, encontram uma porta boiando na água. Mas não é uma porta qualquer, é daquelas portas antigas, imensas, super resistentes, madeira de lei e tudo. Aí Jack manda a Rose subir na porta e fica na água congelante. Eu penso, de cara: "mas que gorda espaçosa, essa porta é imensa, é só afastar um pouquinho que o magrelo do Jack sobe aí também!". Mas não, ela não se afasta, e ainda deita toda esparramada sobre a porta enquanto o coitado do namoradinho pobre e magrelo da ruiva rica e gorda morre de frio. Conclusão: Jack morre porque Rose era uma gorda espaçosa que não se dignou a arredar um pouquinho pro lado pra salvar o namorado.
Fim de análise. Bom novembro a quem ainda lê esta coisa que eu chamo de blog. =P

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A ti, no quarto.

Eu sei que eu deveria escrever algo "bonito" hoje, mas não quero.
Sei que deveria estar plena de sorrisos, mas não consigo.
Estou nervosa, preocupada, ansiosa.
Cheia de tarefas e receios,
Estou sempre, pouco sou.
E sei que não deveria estar, mas estou.


Felicitações? Sim, sempre.
Comemorações... do jeito que podemos.
Façamos do improvável nossa morada.
Sejamos apóstolos do impossível.
Ou nada, não precisamos de nada.
Nada a dizer ou mais fazer:
A certeza que nos consome deve bastar, por hora.
É ela que nos acalma, quando tudo ao redor parece ruir.


Liga do amor?
Luzes psicodélicas?
Que mais há de vir?
Tuas mãos em meus cabelos:
Apenas tuas mãos desejo agora.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Recesso e contemplação

O recesso textual parece imperar pelos blogs que acompanho, além de no meu. Não sei dos motivos deles e percebo um certo esforço dos outros em tentar romper essa abstinência de letras. Sei dos meus motivos, dos meus obstáculos, dos meus dias improváveis mas concretos, dos meus textos bailantes e fugidios.
Descobri projetos. Descobri obras que não mais lembrava existirem. Descobri novos saberes, novos gostos, novas frustrações e novas conquistas. Descobri, primordialmente, interesses e mudanças que até então não percebia.
Por isso, o recesso. Para análise, reflexão e contemplação. Contemplar o meu próprio dinamismo e dos que me cercam (e me fazem diferença significativa na vida); aprender a respeitar também a inércia, aceitar (não necessariamente concordar) o que me incomoda e me afastar quando me faz mal. Movimentos e silêncios também são dignos de atenção, mesmo dos mais singelos, até para pessoas impulsivas, elétrica e explosivas como eu.
Todorov, quando discursa sobre a alteridade, fala de três conceitos chaves: conhecer, amar, conquistar. Para os três, claro, há a negação ou antítese, mas cito Todorov aqui para demonstrar que estou nos dois primeiros conceitos nesse estágio de minha vivência. Identificar(-se), (des)conhecer(-se), (des)amar(-se), são verbos ativos e imperativos para mim, agora.
Porque eu vislumbrei meu passado e, nele, eu não me vi. E quando atentei para o futuro, vi-me como um outro ser que não era apenas eu, mas conjuntos de mim. Não entendi o que me restava de mim mesma no presente. E precisei parar para respirar, para não contaminar os outros com meus medos, inseguranças, desconfianças e tremores. Precisei despir-me do manto hipócrita da auto-afirmação, do destemor desmedido, do discurso mordaz e pré-julgador.
Momento de olhar para a árvore da qual me faço simples folha. O amor é a criação mais sublime da humanidade, porque não é justamente humano. E é a arma mais destruidora quando apropriada indevidamente por essa própria massa humana. Humanizar e amar não são sinônimos. Amar é muito mais caótico e muito mais mortal que qualquer invenção. E é, graças aos bons deuses (!), a única solução para a própria destruição.
E, se o que escrevo parece não fazer sentido, talvez seja porque não seja eu a única a precisar de um tempo a sós comigo mesma e o cosmos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Explicações, referências e reflexões - Só a "liga do amor" salva :p

Em minhas andanças pelo mundo dos blogs e afins, deparei-me com um texto que quase achei ter sido escrito por mim. Embora eu não queira citar aqui referências, digo que a autora, "psicótica", no sentido bem humorado do termo, desculpa-se pela sua ausência de seu próprio blog. Prossegue dizendo que seus melhores textos são produzidos em seus piores momentos e, como está num período favorável, tem mais dificuldade de escrever.
Lembrei-me de uma amiga que, ao falar de seus e meus ex-namorados, dizia que algumas pessoas só se sentem realizadas quando tê uma dor a lamentar. Como se, paradoxalmente, só se fosse feliz ao sofrer. Isso porque esses rapazes em questão necessitavam deste "sofrer por amor" para imprimirem real sentido às suas vidas. Logo, quando tudo parecia ir bem, quase que se inventava um motivo para não prosseguir, justo para continuar o processo de sofrimento, lamentação, auto-piedade e insatisfação que os levava, inversamente, à plenitude de estarem vivos.
Não apenas uma vez escrevi aqui ou em outros lugares que, parafraseando Roberto Freire, é o amor e não a vida  contrário da morte. Quem não tem o que amar está morto, vaga pela superfície terrestre como um ser morimbundo, sem alma, um zumbi sem o apelo de necessariamente comer cérebros. E quando eu digo "amar" não me restrinjo à relação dual, de pares românticos ou enamorados, o amor é bem mais amplo que isso. Não me atenho também à necessidade que temos de também sermos amados, isso é mais complexo. Atento apenas para o fato de que (e aqui lembro minha irmã e os aprendizados que ela extrai do material oriental que lhe chega às mãos) quem tem a quem amar e proteger, embora torne-se suscetível e aparentemente fraco por isso, tem justamente um motivo para almejar sempre crescer, um sonho a perseguir e realizar, um porquê de continuar quando tudo ao redor parece desmoronar. Amar, sem pieguismo, é a plenitude de estar vivo (e sem ser simplista também, apenas sintetizando idéias).
Falei de tudo isso e, como sempre, alonguei-me demais e dei voltas sem fim para dizer que, se meus textos demoram a surgir nesta tela vermmellha, provavelmente é porque, além de estar sem tempo, a falta de idéias concretas em letrinhas amarelas possa significar um momento favorável de realizações para mim também.
Então, aos que se entusiasmam com os sobressaltos de febres alegres e que amam sem medo de parecerem ridículos, uma musiqueta (como não podia deixar de ser) para perpetuar a "liga do amor" constante em que me encontro. :D

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

De novo, sobre nada...

Não, eu não tenho nada a dizer. Muitas leituras, textos intermináveis sobre políticas públicas e ensino de História (e eu que sempre fui uma historiadora do social, me aproximando do cultural, agora me vejo na política...), lavar louça, comer de vez em quando... Os dias continuam bem frios, eu continuo com dores nas articulações e ossos de uma forma geral, meus dedos continuam congelando e leituras virtuais ou impressas continuam sendo minha principal fonte de ocupação.
Óbvio que eu poderia procurar outra coisa pra fazer. Eu poderia faxinar a casa em vez de apenas lavar a louça. Poderia produzir artigos científicos em vez de escrever aqui ou ler tantos textos acadêmicos. Poderia me alimentar corretamente em vez de fazer uma refeição por dia e beliscar tudo que não presta depois... Poderia não sentir tanto frio se "ele" estivesse aqui pra pelo menos esquentar minha cama (o sofá, que é mais confortável que a cama, sempre bom ressaltar) na hora de dormir.
Mas eu não faço além do meu querer, agora. Embora eu saiba que posso muito ainda, o tédio e a monotonia dos dias frios em consomem de tal forma que apenas o estritamente necessário é feito. Até que sinto vontade de variar, mas quando olho pela janela, lá se vai a motivação junto ao meu olhar perdido naquele cinza melancólico. E, mesmo nos (raros) dias de Sol, em que acordo com aquela idéia de "ah, que dia maravilhoso!", basta chegar até a sacada e respirar um pouco mais profundo que as narinas já começam a sangrar com aquele vento seco e malvado...
Isso não é, de forma alguma, uma reclamação ou arrependimento. Sim, eu já havia previsto dias intermináveis e sem cor quando me decidi, há um bom tempo, a morar nessa cidade e deixar pra trás tudo e todos em prol de uma nova vida. ("Deixar pra trás" no sentido de não mudar de idéia fosse o que fosse que ocorresse, não de abandonar pessoas queridas ou origens.) Mas, com todos os planos que se possa fazer, sempre há algo que nos escapa ao controle. E esse ócio está tomando conta de mim, conflituando ao máximo com a saudade que sinto "dele" (que sim, estava fora da minha equação e agora é mesmo o centro dela).


Como contraponto, os dias de solidão e monotonia me proporcionam maior tempo para reflexão. Para o surgimento de novas idéias. E para o conhecimento de muitas coisas que até então ignorava. E pra quem pensou que eu ia falar de costumes, comidas, povos e blábláblá pra bancar a chata da historiadora sócio-cultural, errou. Vou ser mesmo uma menininha super rasa e falar de música. Só deixar a sugestão, a quem interessar possa, de uma coisinha que achei nas minhas andanças virtuais da madrugada. Espero que apreciem e se não, azar, eu gosto e pronto! =P