sábado, 29 de maio de 2010

Sinal de vida

Há quem diga a velha máxima de que "depois da tempestade há de vir a calmaria".
Deveria ser verdade. Mas às vezes penso que, em meio a minha tempestade constante, talvez eu não saiba o que fazer quando a tal calmaria vier. Bonanças sempre vêm, bem como os bons ventos e energias dos mares, mas sempre em forma de furacão, belo, forte e devastador.
E quando não estou em meio a essa caos produtivo, me sinto tão morta que desejo tudo de novo: a falta de tempo, as noites mal-dormidas, o mau humor cotidiano, os conflitos e briguinhas desnecessárias e até os contratempos.
Tudo (inclusive o assalto que sofri há dois dias e do qual estou tentando me recuperar) só me dizem uma coisa: estou viva. Mas dizem também que os deuses têm um mega senso de humor quando pensam de mim, mas um super cuidado quando me põem um rapaz desajeitado, estabanado e tão estressado ao lado.
É, estou viva.

E esse post ordinário, como facilmente se percebe, só existe pra dizer isso mesmo ;)

terça-feira, 30 de março de 2010

Pesquisas e mais pesquisas

Não se pode escrever algo surgido da simples vontade de escrever. Dados são necessários. E dados são obtidos por meio de pesquisa, seleção e análise. E pesquisa demora a ser feita, principalmente quando o resultado que se busca precisa ter o rigor de uma produção virginiana e perfeccionista.
Ando pesquisando, como pesquisava há 7 anos. Com afinco, mau humor e felicidade, paradoxalmente.
Mas não quero apenas pesquisas pretensamente científicas. Não quero a perpetuação do academicismo vazio e sem propósito. Não à pesquisa pelo simples prazer que se encerra nela mesma.
Ando pesquisando sobre mim, sobre o que eu era, o que eu acho que eu era e o que achavam que eu era. Sobre ainda o que sei que não sou e sobre o que até poderia ser. E quem sabe, depois de mais uns 7 anos, serei a única internauta capaz de responder com exatidão a célebre frase de orkut "quem sou eu". Ou não precisarei, quando atingir a meia idade, gastar dinheiro com analistas que, certamente, não me dirão quem sou melhor que eu mesma.
De qualquer forma, até lá, pesquisas e mais pesquisas...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que fazer quando as luzes se apagam?

Certo, andei sumida. Não há o que dizer nem o que justificar. O mundo real andou me ocupando e pequenas confusões do dia-a-dia acabaram por deixar todas as idéias para textos (boas ou não) dentro da cabeça mesmo. Só de pensar em passá-las para cá já batia a preguiça ou a sensação de que havia algo mais importante a se fazer.
Mas cá estou. Quando a necessidade de escrever se reafirmou, precisei voltar e, por isso, redigo, cá estou. E, obviamente não por coincidência, isso se fez latente justo após a visita de namorido. Foram 15 dias de convivência ininterrupta após 6 meses de ausência e distância física. E, destes 15, por 5 ficamos sem energia elétrica em casa (por incompetência da maldita companhia de luz que se atrapalhou e atrapalhou minha vida também).
Daí se explica o título de hoje. Porque não é nada fácil nas atuais circunstâncias passar sequer um dia sem luz, imaginem 5! Se fosse na praia, num acampamento, sei lá, algo fora do cotidiano, poderia até fazer sentido... Mas em plena cidade e sob um calor de 44 graus, é uma tortura!!! 
Sendo assim, nossa rotina era acordar, arrumar um pouco a casa, tomar café e ligar pra companhia de luz. Depois brigar um monte porque eu surtei com a situação toda e descontei tudo no tadinho do namorido, depois namorar um pouco e preparar o almoço juntos, lavar a louça e ligar de novo pra companhia de luz e esperar que alguém viesse resolver o problema até às 17h30. Depois disso, sair pra comprar gelo e tentar não deixar a comida estragar. Findando a saga de ir ao supermercado/voltar o mais rápido possível pra casa pra não derreter demais o gelo/abastecer os isopores/limpar toda a cozinha e enxugar a água que escorria do gelo derretido, tomávamos banho e pensávamos no que fazer.
Nessa parte que sempre vinha a questão-título. Como era fim de tarde e anda anoitecendo por voltas das 20h por aqui, aproveitávamos o fim do dia para fazermos palavras cruzadas na beira do rio. Passeios exaustivos e felizes pelo centro histórico eram a pedida dos fins de tarde. Depois voltar à noite pra casa, acender as velas e beber umas cervejas enquanto preparávamos algum lanche pro jantar.
Descobrimos a afinidade para palavras cruzadas e quebra cabeças nesses dias sem luz. Descobrimos o mesmo gosto para cervejas, músicas e filmes (mesmo que não pudéssemos assistir/ouvir nada, exceto num dia em que conseguimos carregar os celulares e fazer as baterias durarem até de manhã). Descobrimos que o assunto entre nós não se esgota e, quando cansamos de falar, que o silêncio também não nos incomoda. E descobri que tudo que nos unia continuava da mesma forma que havíamos deixado lá em agosto, quando nos despedimos. Os sentimentos, os intentos, os planos, todos mais sólidos e mais fortes, como se houvesse um halo iluminado que não permitisse nunca que a luz se esvaisse.
Quando as luzes se apagam, a solução é deixar que as luzes psicodélicas de nossa eterna liga do amor reine, absoluta, acima de todas as invejosas luzinhas bobas do resto da cidade *-*

*Esse é um post apaixonado mesmo, e daí? =P

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Abaixo o otimismo, viva a queixa!"

Dias atrás eu escrevi sobre minha irritação sobre tudo e todos (ou quase isso) que me rodeiam e teimam em se adequar a regrinhas e padrões inúteis, apenas para manterem-se dentro do que chamam de "normalidade". Até porque, ser "normal" é mesmo isso, estar conforme os padrões previamente estabelecidos, fazer parte da grande corrente inerte e depois tentar se convencer de que todos temos algo de especial (mesmo que isso seja apenas uma forma de dizer que ninguém mais é especial, segundo um desenho incrível aí que vi). Mas eu não fui sempre assim.
O tal mito da normalidade chegou a me atrair, certa vez. Há muitos anos eu achava que destoava demais no meio dos ditos "normais" e sentia vergonha disso. Quer dizer, primeiro eu sentia orgulho, mas depois de alguns acontecimentos, de rejeição e incompreensão, também desejei "ser normal" simplesmente para passar despercebida e não ser alvo de ofensas ou ridicularização por não ser tão "normal" quanto os outros. Passei a esconder-me dentro de mim, com máscaras e outros truques da arte do fingir, de modo a quase, QUASE ser como os outros.
Eu precisei de mais alguns anos pra entender que eu nunca poderia ser como os outros, mesmo que fingisse muito bem para a maioria. Eu não fui capaz de fingir pra mim e, com o tempo, fui me despindo dos truques, voltando ao meu próprio "eu" e me libertando do mundo dos "normais". E quando "voltei", a hipocrisia reinante e a ditadura dos malditos "normais" passou a me irritar de tal forma que eu não consigo, por mais que tente, tolerar muitas coisas. Por isso me enervo com facilidade, me estresso"all the time" e xingo horrores aquilo que não me agrada, com argumentos para fazê-lo.
Ouvi essa semana, porém, que reclamar o tempo todo não agrada os outros. Como se eu não soubesse... Também não gosto de quem vive reclamando, também não suporto conviver com meu mau humor e meu gênio teimoso e arrogante, mas, repito, sou crítica por natureza e acima de tudo. Não me calo pra agradar outrem, não fujo de discussões se elas me parecem interessantes e não sou otimista daquele tipo bobo, que prefere acreditar que dias melhores sempre virão e sentam no sofá esperando a vinda. Sim, eu sei muito bem rir da minha própria desgraça, mas não desprezo nunca o valor de uma boa queixa. ;)
E aos incomodados... Vocês também me aborrecem!!! =D

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Normal people bore me

Domingo à tarde. Calor infernal. Dois ventiladores ligados, tv também ligada, mais para que o quarto tivesse algum sinal de vida que para ser realmente assistida. Foi com a tv ligada num canal aleatório, num programa local antigo (era reprise mesmo) que vi uma frase finalmente agradável. A camisa do carinha do programa dizia "normal people bore me". Não sei se era alguma campanha, se é slogan de algo, nem prestei atenção e mal tava ouvindo mesmo o que ele dizia, mas a frase realmente me chamou atenção. Isso foi ontem.
Hoje eu acordei muito, mas muito, incrivelmente mal humorada. Não, não era culpa de ninguém (quer dizer, até era um pouco), nem havia pessoas à minha volta, ou ao menos imediatamente perto. Mas a sensação de prisão, de calor sufocante, do grito prestes a escapar, a certeza de que, não importa o quanto se fuja, os verdadeiros problemas continuam atrás de nós, como encostos, tudo permanecia em mim como há alguns meses, quando a única vontade que eu tinha era a de sair correndo de onde estava sem olhar pra trás.
Li um blog recém-inaugurado (a quem interessar possa, http://diariosdamaquinadomal.blogspot.com/) no qual, se não entendi mal, pretende-se mostrar aventuras de uma bicicleta na cidade de Niterói. Pensei em como eu seria mais "feliz" se soubesse andar de bicicleta, em como poderia sentir por um momentinho apenas que não sou constantemente mal humorada e reclamona, porque por esse instante único o vento no rosto e a sensação de plenitude seriam suficientes para que os problemas se fossem. Mas eu não sei andar de bicicleta nem gosto de fugir dos problemas.
Por isso volto ao assunto inicial e ao título deste post. Percebo-me cada vez mais intolerante às pessoas ao meu redor, como se todos fossem medíocres, como se ninguém fosse capaz de falar algo interessante ou minimamente aproveitável, como se todos os discursos fossem reproduções acríticas, como se eu não me encaixasse mesmo em lugar nenhum. E embora pareça bobagem de uma eterna adolescente, a verdade é que eu nunca estarei satisfeita, não sou capaz de me conformar com frases prontas e clichês, com comportamentos "socialmente aceitáveis" que, no fundo, apenas tornam todos ao meu redor apáticos e profundamente desinteressantes.
Isso quer dizer: voltei ao meu estado natural de stress superior. Ao ápice do sarcasmo, da acidez e da insatisfação. Ao início da questão que me trouxe até outra cidade, outros ares, outros planos. Não, não é falta de amor, não é "síndrome de malcom", não são problemas de convivência familiar, falta de grana, falta do que fazer. Não é nada de trivial e corriqueiro. Sou eu, apenas eu, voltando ao que sempre fui, em essência: crítica e questionadora. Uma chata para a maioria, mas um quase modelo de racionalidade e persistência para alguns. E como detesto as multidões, são esses alguns que reconhecem o valor prático e mesmo sentido utópico do meu eterno senso de contra-argumentação as pessoas que realmente me importam. O resto apenas me aborrece.


E agora eu preciso ir que, obviamente, com esse mau humor todo, não fui capaz de terminar o bendito ensaio de trabalho final do semestre que já terminou. Mas com ânimo renovado (já que escrever é restaurador para mim), sigo madrugada adentro para parir adoráveis laudas de senso crítico e teor acadêmico suficientes para encerrar de uma vez por todas 2009. ;)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Que natal que nada, viva os 6 meses! =P

Quem me conhece ao menos um pouquinho sabe: eu não sou cristã, não acredito num deus único e não me envergonho disso, muito menos me vanglorio. Em contrapartida, também rezo (do meu jeito e sem textos prontos e decorados), vou à Igreja se a intenção for válida e sincera, respeito os credos alheios e sim, comemoro o natal, mas de um jeito mais peculiar.
De qualquer modo, isso não é um post sobre religião. É mais sobre como, ao nos condicionarmos, conseguimos mesmo mudar coisas ao nosso redor que precisam ser mudadas. É como dizem, quando queremos algo com fervor e mentalizamos positivamente, o universo conspira a favor. Por isso, não acredito em "milagres de natal", mudanças repentinas graças ao "espírito natalino" ou outras manifestações do tipo. Não, uma data em si não é capaz de mudar nada nem ninguém (mesmo os que fingem mudar só porque "é natal").


Então, agora que o tal natal passou e todos podem parar de fingir e voltar a ser o que foram o ano todo, digo que uma mudança ocorreu em mim. Hoje é meu aniversário de namoro, 6 meses (dos quais quase 5 se passam à distância física do ente amado). Vou explicar a relação. Todos sabem da dificuldade que é, além de levar um relacionamento a sério, fazê-lo a milhares de quilômetros de distância, com a esperança de um futuro (já mais próximo) de união espacial novamente. Vem sendo bem difícil, para ambos os lados, adaptar formas de demonstrar amor, conciliar horários, depender da boa vontade da conexão da internet, economizar pra comprar cartões telefônicos que não duram 10 minutos... A dificuldade parece não ter fim e piorar cada vez mais. Mas é justo o contrário, agora.
Acordei com a sensação de que nunca pude ser tão livre numa relação quanto agora. Se, por um lado, a distância física parece minar possibilidades de realizações, por outro, exige de nós tantas novas estratégias, habilidades de driblar o desconhecimento do cotidiano em prol de um sentimento muito maior, que me sinto tão à vontade para ser eu! Hoje, quando comemoramos 6 meses de um relacionamento maduro e prazeroso, percebo o quanto somos felizes em termos um ao outro, do jeito que podemos, e o quão menos desesperadora a espera se torna.
Óbvio que discussões, mal-entendidos, conflitos mal-resolvidos, atropelos acontecem todos os dias. Não somos ingênuos a ponto de culpar a distância por isso. O bem querer tem disso, e sem debates não se cresce, já me convenci disso. O cerne de tudo isso é que, em meio a confusões e carinhos desmedidos, redescobri quem era e me despi das máscaras que ainda guardava. Hoje, terminando a celebração do solstício de verão, percebo o quão iluminada se tornou novamente minha vida, e o quanto isso é devido ao meu "demônio amado".


Meu candeeiro encantado, companheiro de luz eterna, incessante, abrasadora, amigo de explosões de risadas e silêncios, fonte mútua e recíproca de força, eu precisava dizer: foda-se o natal e as tradições inventadas! O melhor desse ano foi te receber na minha vida! *_*


E por estar feliz (mesmo que não pareça tanto, mas deve ser o maldito sono/ressaca de natal =P), posto uma música do tempo em que eu dançava no escuro, ao redor da fogueira, despreocupada com o inferno ao meu redor. Já posso dançar de novo! :D

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Do cineminha à tarde...

Ando me interessando mais que meu normal por cinema. Não que eu não gostasse antes, mas descobri que cinema é uma opção barata em Porto Alegre. Tenho salas de exibição próximas a onde moro e com produções que realmente me interessam. Salvo os pseudo intelectuais de sempre, são circuitos bem frequentados ou quase vazios, o que não deixa de me agradar, e às vezes me entristecer: salas confortáveis, ótimas películas e pouquíssimo público.
Há momentos em que meus livros não são mais suficientes e acaba o dinheiro para comprar novos. Não há muito o que se estudar se o resultado para o mestrado ainda não saiu. Não há muito o que ver na internet se o computador não ajuda (nem a vista cansada). Enjoei de minhas músicas, das pessoas, das conversas...
Então o melhor é rumar para o cinema, sozinha mesmo, ou em companhia extremamente seleta. Depois um chopp ou um sorvete. Programa bobo mas tão agradável que quase esqueço da irritação que me espera quando voltar ao mundo real.
Sorte que na outra semana tem sempre um filme novo me aguardando. :)