segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Normal people bore me

Domingo à tarde. Calor infernal. Dois ventiladores ligados, tv também ligada, mais para que o quarto tivesse algum sinal de vida que para ser realmente assistida. Foi com a tv ligada num canal aleatório, num programa local antigo (era reprise mesmo) que vi uma frase finalmente agradável. A camisa do carinha do programa dizia "normal people bore me". Não sei se era alguma campanha, se é slogan de algo, nem prestei atenção e mal tava ouvindo mesmo o que ele dizia, mas a frase realmente me chamou atenção. Isso foi ontem.
Hoje eu acordei muito, mas muito, incrivelmente mal humorada. Não, não era culpa de ninguém (quer dizer, até era um pouco), nem havia pessoas à minha volta, ou ao menos imediatamente perto. Mas a sensação de prisão, de calor sufocante, do grito prestes a escapar, a certeza de que, não importa o quanto se fuja, os verdadeiros problemas continuam atrás de nós, como encostos, tudo permanecia em mim como há alguns meses, quando a única vontade que eu tinha era a de sair correndo de onde estava sem olhar pra trás.
Li um blog recém-inaugurado (a quem interessar possa, http://diariosdamaquinadomal.blogspot.com/) no qual, se não entendi mal, pretende-se mostrar aventuras de uma bicicleta na cidade de Niterói. Pensei em como eu seria mais "feliz" se soubesse andar de bicicleta, em como poderia sentir por um momentinho apenas que não sou constantemente mal humorada e reclamona, porque por esse instante único o vento no rosto e a sensação de plenitude seriam suficientes para que os problemas se fossem. Mas eu não sei andar de bicicleta nem gosto de fugir dos problemas.
Por isso volto ao assunto inicial e ao título deste post. Percebo-me cada vez mais intolerante às pessoas ao meu redor, como se todos fossem medíocres, como se ninguém fosse capaz de falar algo interessante ou minimamente aproveitável, como se todos os discursos fossem reproduções acríticas, como se eu não me encaixasse mesmo em lugar nenhum. E embora pareça bobagem de uma eterna adolescente, a verdade é que eu nunca estarei satisfeita, não sou capaz de me conformar com frases prontas e clichês, com comportamentos "socialmente aceitáveis" que, no fundo, apenas tornam todos ao meu redor apáticos e profundamente desinteressantes.
Isso quer dizer: voltei ao meu estado natural de stress superior. Ao ápice do sarcasmo, da acidez e da insatisfação. Ao início da questão que me trouxe até outra cidade, outros ares, outros planos. Não, não é falta de amor, não é "síndrome de malcom", não são problemas de convivência familiar, falta de grana, falta do que fazer. Não é nada de trivial e corriqueiro. Sou eu, apenas eu, voltando ao que sempre fui, em essência: crítica e questionadora. Uma chata para a maioria, mas um quase modelo de racionalidade e persistência para alguns. E como detesto as multidões, são esses alguns que reconhecem o valor prático e mesmo sentido utópico do meu eterno senso de contra-argumentação as pessoas que realmente me importam. O resto apenas me aborrece.


E agora eu preciso ir que, obviamente, com esse mau humor todo, não fui capaz de terminar o bendito ensaio de trabalho final do semestre que já terminou. Mas com ânimo renovado (já que escrever é restaurador para mim), sigo madrugada adentro para parir adoráveis laudas de senso crítico e teor acadêmico suficientes para encerrar de uma vez por todas 2009. ;)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Que natal que nada, viva os 6 meses! =P

Quem me conhece ao menos um pouquinho sabe: eu não sou cristã, não acredito num deus único e não me envergonho disso, muito menos me vanglorio. Em contrapartida, também rezo (do meu jeito e sem textos prontos e decorados), vou à Igreja se a intenção for válida e sincera, respeito os credos alheios e sim, comemoro o natal, mas de um jeito mais peculiar.
De qualquer modo, isso não é um post sobre religião. É mais sobre como, ao nos condicionarmos, conseguimos mesmo mudar coisas ao nosso redor que precisam ser mudadas. É como dizem, quando queremos algo com fervor e mentalizamos positivamente, o universo conspira a favor. Por isso, não acredito em "milagres de natal", mudanças repentinas graças ao "espírito natalino" ou outras manifestações do tipo. Não, uma data em si não é capaz de mudar nada nem ninguém (mesmo os que fingem mudar só porque "é natal").


Então, agora que o tal natal passou e todos podem parar de fingir e voltar a ser o que foram o ano todo, digo que uma mudança ocorreu em mim. Hoje é meu aniversário de namoro, 6 meses (dos quais quase 5 se passam à distância física do ente amado). Vou explicar a relação. Todos sabem da dificuldade que é, além de levar um relacionamento a sério, fazê-lo a milhares de quilômetros de distância, com a esperança de um futuro (já mais próximo) de união espacial novamente. Vem sendo bem difícil, para ambos os lados, adaptar formas de demonstrar amor, conciliar horários, depender da boa vontade da conexão da internet, economizar pra comprar cartões telefônicos que não duram 10 minutos... A dificuldade parece não ter fim e piorar cada vez mais. Mas é justo o contrário, agora.
Acordei com a sensação de que nunca pude ser tão livre numa relação quanto agora. Se, por um lado, a distância física parece minar possibilidades de realizações, por outro, exige de nós tantas novas estratégias, habilidades de driblar o desconhecimento do cotidiano em prol de um sentimento muito maior, que me sinto tão à vontade para ser eu! Hoje, quando comemoramos 6 meses de um relacionamento maduro e prazeroso, percebo o quanto somos felizes em termos um ao outro, do jeito que podemos, e o quão menos desesperadora a espera se torna.
Óbvio que discussões, mal-entendidos, conflitos mal-resolvidos, atropelos acontecem todos os dias. Não somos ingênuos a ponto de culpar a distância por isso. O bem querer tem disso, e sem debates não se cresce, já me convenci disso. O cerne de tudo isso é que, em meio a confusões e carinhos desmedidos, redescobri quem era e me despi das máscaras que ainda guardava. Hoje, terminando a celebração do solstício de verão, percebo o quão iluminada se tornou novamente minha vida, e o quanto isso é devido ao meu "demônio amado".


Meu candeeiro encantado, companheiro de luz eterna, incessante, abrasadora, amigo de explosões de risadas e silêncios, fonte mútua e recíproca de força, eu precisava dizer: foda-se o natal e as tradições inventadas! O melhor desse ano foi te receber na minha vida! *_*


E por estar feliz (mesmo que não pareça tanto, mas deve ser o maldito sono/ressaca de natal =P), posto uma música do tempo em que eu dançava no escuro, ao redor da fogueira, despreocupada com o inferno ao meu redor. Já posso dançar de novo! :D

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Do cineminha à tarde...

Ando me interessando mais que meu normal por cinema. Não que eu não gostasse antes, mas descobri que cinema é uma opção barata em Porto Alegre. Tenho salas de exibição próximas a onde moro e com produções que realmente me interessam. Salvo os pseudo intelectuais de sempre, são circuitos bem frequentados ou quase vazios, o que não deixa de me agradar, e às vezes me entristecer: salas confortáveis, ótimas películas e pouquíssimo público.
Há momentos em que meus livros não são mais suficientes e acaba o dinheiro para comprar novos. Não há muito o que se estudar se o resultado para o mestrado ainda não saiu. Não há muito o que ver na internet se o computador não ajuda (nem a vista cansada). Enjoei de minhas músicas, das pessoas, das conversas...
Então o melhor é rumar para o cinema, sozinha mesmo, ou em companhia extremamente seleta. Depois um chopp ou um sorvete. Programa bobo mas tão agradável que quase esqueço da irritação que me espera quando voltar ao mundo real.
Sorte que na outra semana tem sempre um filme novo me aguardando. :)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Agora são quatro meses... Alguém aí sabe de que?

Acordei numa casa que não era minha. E eu lembro de tudo e, melhor, não me arrependo de nada.


Passei a comemoração de meus 4 meses em nova cidade rodeada de cachorros, comendo pizza, deitada no chão, vendo filmes madrugada adentro, na casa de uma amigA. Sim, eu fiz uma amiga em Porto Alegre e aproveitei que ninguém se lembra dessas datas que me são tão importantes para fazer programinha caseiro que há muito não fazia. Conheci a família, fui bem tratada (e sem falsidades), almocei junto no outro dia e me deixaram de carro em casa. Tipicamente, um programa de amigas.


Eu gostei. Muito, até, pra uma pessoa que torce o nariz pra tudo, como eu. :D


A parte ruim de tudo isso é chegar em casa e perceber que ninguém mesmo se lembra da data de hoje, e que as pessoas de quem se sente falta sequer notam que eu não estou mais lá. Demonstrações de afeto, é disso que ando sentindo falta. E antes que alguém diga que estou virando emo, proponho que se isole do convívio dos seus e teste por quanto tempo suporta a solidão sem se queixar.


Mas não estou aqui a escrever pela queixa. É mesmo pelo agradecimento. Quando eu já pensava que seria mais um mês esquecida, deprimida em frente ao monitor do PC, remoendo as discussões todas da semana (e que não se resolvem), alguém vem e me tira de casa, me faz assistir History Chanel com cachorrinhos no colo, me presenteia com conversas agradavelmente intermináveis e me faz até acordar sem mau humor. É, Carol, o post dos 4 meses em PoA é pra ti. :)


(Agradecimentos finais: Carol, mnha vida tem se tornado muito mais fácil aqui desde que nos encontramos, sabia? Ainda mais com nossas "coincidências incríveis" =P Obrigada, mesmo mesmo! ^^)

sábado, 28 de novembro de 2009

Bobagens Blogueiras ? Não, troca pra "Sábado de Sol"! =P

Acordei com vontade de escrever, como há muito não sentia. Semana cheia, sentimentos aflorados, os melhores e os piores. Mal consegui me suportar e sei que também foi difícil para os pobres mortais que insistem em me acompanhar. Inclusive, devo um agradecimento sincero a vocês, vocês mesmos que sabem muito bem quem são, por isso não preciso nomear. Sintam-se abraçados (mas sem suores pegajosos, por favor).
Voltado à vontade de escrever. Acordei com vontade de escrever, como há muito não sentia, foi o que eu disse. Ontem à noite, no entanto vi umas besteiras tão absurdas que hoje, ao lembrar delas, a vontade de escrever transformou-se em receio. Por isso, esse poste é em homenagem às bobagens blogueiras.
Eu pretendia agora discorrer sobre pelo menos cinco tipos de blogs e seus posts inaceitáveis, mas... perdi a vontade. Pensei que teria mais graça quando eu estivesse de mau humor de novo, e essa manhã estou incrivelmente feliz. Não que eu perca o senso crítico quando me alegro, longe disso! Apenas quero curtir um pouco mais os minutos contentes, afinal, acordar sem mau humor é tão raro quanto borboletas pousando em minha janela!
Sendo assim, as bobagens blogueiras ficam pra depois. Momentinho piegas da liga psicodélica do amor agora. Se não gostou, não leia, simples assim. :) 



Musiqueta feliz para momentos felizes, principalmente fins de semana. :)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

(Não)Querência

Não, eu não me importo com minha "produção literária". Não quero escrever sem parar só para me sentir meramente produtiva. Para satisfazer meu ego. Ou para satisfazer quem acha que escrever todo dia aqui significa "duelo de blogs e competências intelectuais".
Não, eu não me importo. Não enquanto a chuva cai abundantemente lá fora e eu estou protegida, seca e intacta aqui dentro. Não enquanto o Sol é escaldante ao meio-dia e estou confortavelmente sob a sombra do meu teto de temperatura amena. Não enquanto minha vida corre nas ruas lá embaixo e eu continuo aqui, vendo-a correr sentada no parapeito da janela do sétimo andar.
Os dias passam, meses até. Planos, projetos, conflitos, questionamentos, vicissitudes da vida "pós-contemporânea" e abusos da inércia de uma vidinha tipicamente classe média. Copos de coca alternam-se com batatas fritas. Em meio a isso, ilhas de livros. Conversas intermináveis. Amores. Eternos. Discussões desmedidas. Humores descontrolados. Reflexões antes de dormir. Abraços e cheiros no cachecol de Jah. Tristeza, alguns poderiam dizer. Saudade, talvez. Mas eu diria apenas que deixar-se sentir na medida certa é o melhor aprendizado possível, e um dos únicos para o qual nunca se chega ao final do curso.





O que mantém esse blog vivo? Quem o lê ou quem o escreve?
Nada disso mesmo importa. Não enquanto não termina o momento de contemplação.
E a vida segue seu curso para que eu a contemple. Antes a minha que a dos outros. ;)

domingo, 1 de novembro de 2009

Bobagens cinéfilas

Tá, é início de novembro, penúltimo mês do ano, que está chegando ao final, eu deveria seguir meu costume de falar minhas impressões para o mês, ou fazer o balanço de outubro, ou até contar algum fato corriqueiro dos últimos dias.
Ontem, no entanto, um pensamento que há anos não me passava pela cabeça voltou, com uma ajuda da minha irmã caçula que (eu nem sabia) tinha o mesmo pensamento que eu: "por que aquela gorda espaçosa não cedeu lugar na porta pro Jack?". Esse é o pensamento tema da nossa noite de Halloween.
A "gorda espaçosa" era a Rose (interpretada pela Kate Winslet) de Titanic. Impressões gerais sobre o filme (que, na época, tive de ver no cinema pra levar a irmã do meio e, mesmo não sendo o supra-sumo do senso crítico, achei uma choradeira só, valia só pelos efeitos, à primeira vista): Rose era uma ruiva farta de carnes, como era ainda padrão na época, mas do tipo "gostosa", não "gorda". Jack (encarnado no Di Caprio), o namoradinho pobre, era um garoto novo, do tipo normal, magro mas "com tudo no lugar". Eles juntos: Rose parecia muito mais forte que ele e Jack começava a parecer bem magrelo e frágil nas cenas a dois.
Parágrafo especial para a cena especial: todo mundo já viu pelo menos a cena do carro. Eles estão no "almoxarifado" do Titanic e entram num carro qualquer pra transar.Tá, e daí, eles estão com frio e querem se esquentar, nada mais apropriado que um carro antigo "chiquerésimo" num navio no meio do oceano. Amei a idéia. Mas eles encontram o carro, entram no carro e a próxima cena é uma mão escorrendo pelo vidro da janela do carro que, por sinal, está toda embaçada (que nem espelho do banheiro quando se toma banho quente). Se era pra aquilo parecer sensual e mostrar que a volúpia do casal aquecia a tal ponto o carro que as janelas embaçavam, tudo que eu conseguia pensar era numa cena bem horripilante de assassinato com aquela mão escorrendo desesperada pelo vidro. Pensei, mesmo sabendo que não poderia ser: "um matou o outro!". O detalhe é que não sabia quem tinha matado quem, mas quando o take mostra os dois no interior do carro penso, com certeza (mesmo sabendo que aquela mão no vidro era dela): "se a Rose tava por cima, entendo o desespero dele tentando sair pela janela".
Claro que a idéia vai se aprimorando ao longo daquelas horas intermináveis do filme interminável, mas, já depois do naufrágio, quando eles procuram onde se refugiar, encontram uma porta boiando na água. Mas não é uma porta qualquer, é daquelas portas antigas, imensas, super resistentes, madeira de lei e tudo. Aí Jack manda a Rose subir na porta e fica na água congelante. Eu penso, de cara: "mas que gorda espaçosa, essa porta é imensa, é só afastar um pouquinho que o magrelo do Jack sobe aí também!". Mas não, ela não se afasta, e ainda deita toda esparramada sobre a porta enquanto o coitado do namoradinho pobre e magrelo da ruiva rica e gorda morre de frio. Conclusão: Jack morre porque Rose era uma gorda espaçosa que não se dignou a arredar um pouquinho pro lado pra salvar o namorado.
Fim de análise. Bom novembro a quem ainda lê esta coisa que eu chamo de blog. =P